quarta-feira, 16 de março de 2016

A Música e a Palhaçaria.

"Purezempla" palhaça tocadora de saxofone.
A Musicalidade do palhaço é bem vinda, compõe uma de suas habilidades; aliás, muitos artistas aprofundam a linguagem musical, através da palhaçaria. Começam simplesmente utilizando o instrumento para tirar som, executando uma única música, durante o show e, com o tempo, a habilidade se amplia e evolui para uma musicalidade que, pode até virar uma habilidade específica do artista. O que parece ser difícil para muita gente, torna-se uma habilidade com desdobramento e desenvolvimento que passa a ser um verdadeiro luxo na linguagem que acaba levando o público ao êxtase.
São inúmeros palhaços que tive o privilégio de ouvir tocar, fazendo seus números inesquecíveis, um deles é o palhaço Xuxu, do incrível artista Luis Carlos Vasconcelos, que além de excelente palhaço é, também, um ator de cinema. Xuxú, depois de mirabolantes jogos com a platéia, tira de seu acordeon, uma inesquecível melodia que, completada com seu olhar de ternura, arranca suspiros e vivas do público completamente apaixonado. Tive o prazer de assistir este palhaço por mais de 5 vezes e é impressionante seu número de acordeon.
Iran Silveira - Palhaço Biriba e seu belo solo de garrafas,
quem viu nunca irá esquecer.
O mestre Richard Riguetti, do grupo Off-Sina foi dando vasão a uma musicalidade que hoje é variada e rica. Ele começou com um simples número de acordeon e hoje em dia apresenta um homem banda completo, além, claro, de continuar extraindo melodias incríveis de seu magnífico mundo mágico de instrumentos variados. Quem vir Café Pequeno, liderando um cortejo de palhaços, vai ficar impressionado com a força e energia de sua arte bela e tão rica de melodias e gags que faz a platéia chorar de rir.
Outra palhaça incrível, que tive a honra de conhecer foi Purezempla, a palhaça criada por Maria Tereza, mineira de São João del Rei e que aprofundou seus estudos na ESLIPA - Escola Livre de Palhaços. Purezempla, com sua paixão por instrumentos de sobro, tem preferência por Sax, já o palhaço Tatuí, de Dio Jaime Vianna, que toca diversos tipos de instrumentos de sopro, destacando a tuba, chama atenção com sua magnífica performance sonora, que faz dele uma verdadeiro show à parte por onde anda com seus instrumentos exóticos.
Em Cabo Frio, não há dúvida de que a atriz Kéren-Hapuk, com sua palhaça Hermetinha (nome inspirado na figura de Hermeto Pascoal), não só, tira sons melodiosos de seu violino "velho", como investiga a possibilidade sonora de diversos outros instrumentos. A paixão de Keren-Hapuk por música, a colocou como diretora musical de diversos trabalhos em Cabo Frio, voltados para o teatro, e a palhaçaria. Atualmente ela é facilitadora musical da oficina de palhaçaria da Cidade de Palhaços, projeto realizado em Cabo Frio e região dos lagos.

Pelas ruas de Cabo Frio, o cortejo da "Cidade de Palhaços" mostra que cada palhaço tem sua intimidade com o instrumento
que carrega. O importante não é tocar bem, mas tocar para o bem!
A música e a relação com instrumentos musicais, no contexto da arte do palhaço, é vista como uma "habilidade a mais", no trato com o público, entretanto, um palhaço pode mergulhar na musicalidade e criar números inteiros, inspirado nessa forma de sentir e ver o mundo, podendo ser de grande benefício para o artista que, ao descobrir tal habilidade, pode desenvolver um talento que vai ficar para sempre no coração do criador de risos...

Jiddu Saldanha - palhaço, mímico e professor de teatro.

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